“…Para Que Todos Tenham Privilégios Iguais…”

octubre 10, 2017

Por Luiz Correa

 

O que difere um mórmon LGBT de um mórmon não LGBT? Nada além da condição, mas o que isso importa quando nos referimos a espiritualidade e serviço ao próximo? Nós os Santos dos últimos dias LGBT  sabemos  que vivíamos com os nossos Pais Celestes o que chamamos de pré-existência e lá vivíamos como uma família e fomos designados a vir a esta terra exatamente como éramos na pré-existência, como é dito em Deuteronômio 32; “Os filhos de Israel eram conhecidos na pré-existência…”.

 

Quantos homens, mulheres, jovens mórmons LGBT querem poder compartilhar das ordenanças e bênçãos do evangelho ou simplesmente sentar todos os domingos nos bancos da igreja e, quantos destes poderiam estar servindo ao Senhor, com amor e dedicação como diz em Moisés 6:33,34.

 

Nós não queremos privilégios ou regalias, queremos estar na casa do Pai sermos aceitos como o Senhor nos aceitou na pré-existência e nos aceita aqui nesta vida terrena, termos nossa dignidade respeitada como pessoas LGBT e como filho do mesmo Pai.

 

Muitos nos perguntam, por que? Porque lutar por algo que não nos faz reconhecidos e só nos faz sofrer, além de todas as dores que a aceitação pessoal e familiar nos causa ou causou, porque acreditar que este Deus vai ser diferente dos outros Deuses? Porque ser humilhado, expulso, apontado e todo o serviço prestado e amor ao evangelho seja simplesmente ignorado? Porque se desgastar? Porque simplesmente não viver a sua vida.

 

Eu digo que não é uma luta é um reconhecimento de que somos iguais, filhos de um único Deus vivo que nos ama como somos. Acredito no amor de Pai, um Pai presente que olha por nós que sabe do valor que temos, como diz em Efésios 1:3-4. Sinto que aos poucos ele tem aberto o véu para que as pessoas lembrem que somos sim filhos de Pais Celestes e que fomos eleitos antes mesmo da fundação do mundo.

 

Penso que não é importante a aceitação dos líderes e membros da igreja, mas sim que entendam que somos iguais, que independente de nossa condição o importante é o que está no coração como diz em D&C 88: 122-123 “…para que todos tenham privilégios iguais…”. “Vede que vos ameis uns aos outros…”.

 

É muito triste e doloroso ver irmãos LGBT sofrendo, como eu, por não podermos partilhar o evangelho, sentar a cada domingo nas reuniões sacramental, compartilhar seu testemunho, servir ao próximo. Todos estamos cheios de amor e vontade de servir ao próximo, onde aprendemos os nossos princípios religiosos, não quero outra denominação religiosa inclusiva ou algo assim, pois sou mórmon, sim um mórmon LGBT.

 

A igreja SUD reconhece hoje a condição LGBT de muitos membros da igreja, mas isso não quer dizer que aceita um mórmon LGBT em sua plenitude. Tenho ouvido muitas histórias de nossos irmãos mórmons LGBT que são bem vistos dentro de suas alas e estacas o que é um alento aos nossos corações, pois com isso são menos irmãos e irmãs mórmons LGBT sofrendo rejeição dentro da fé que proferimos, mas isso não quer dizer que o caminho está curto, ele ainda é longo, ainda mais se falando em América Latina, incluindo o Brasil que vem de uma herança machista e patriarcal, onde ser diferente em suas escolhas  é dito como algo pecaminoso e não aceitável.

 

Uma coisa tenho certeza que a propagação da Afirmação por todo o mundo, apoiando e dando suporte para os mórmons LGBT, suas famílias e amigos este cenário irá mudar. As centenas de voluntários e aliados mundo afora, seremos uma força, digna do exército de Helamã.

 

Talvez aquele grupo formado por Matthew Price, não pudesse imaginar a proporção que o grupo formado para dar apoios aos mórmons LGBT daquela época, pudesse hoje, estar espalhado em muitos países, dando suporte, dando alento e evitando tragédias pessoais e familiares.

 

Quantos dos nossos irmãos e irmãs foram abraçados pela família Afirmação, quantos encontraram na Afirmação o teu suporte de sustentação. Quantas vidas foram poupadas através de voluntários que gentilmente estenderam suas mãos. Quantas famílias foram apoiadas em suas angustias.

 

Sou muito grato por ter conhecido este evangelho em minha vida, que com certeza tem muito da minha formação como homem e cidadão, mas o que mais me agrada é saber que hoje, temos a Afirmação em nossas vidas que tem despertado muitos sentimentos e emoções e que tem nos proporcionado o desenvolvimento dom do voluntariado.

 

Meu agradecimento a cada voluntario destes 40 anos, que tem plantado uma semente de amor e compaixão, obrigado por cada história de vida compartilhada que nos faz ficar mais fortes a cada parágrafo lido ou cada respiração entre uma fala e outra, obrigado por cada olhar, aperto de mão, abraço e lagrimas derramada, pois cada gesto deste tem feito a Afirmação estar viva estes 40 anos. A cada ano mais voluntários, experiências pessoais, países vão se juntando aos que aqui estão, mostrando que a Afirmação é isto Amor independente da língua, cultura e fronteiras.

 

 

 

 

 

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