Simpósio da First Affirmation Brasil para Prevenção do Suicídio, um Sucesso

6 de novembro de 2018

Simpósio Afirmação Brasil sobre Prevenção ao Suicídio

por luiz correa

Em 25 de setembro de 2018, a Afirmação Brasil realizou seu primeiro Simpósio de Prevenção ao Suicídio LGBT. Eles tiveram o apoio do Consejal Soninha Francine, que lhes cedeu o auditório da Câmara Municipal de São Paulo para sediar o evento. Contaram com a participação da sociedade civil que esteve presente a esta palestra, entre eles estudantes de psicologia, medicina, magistrados, médicos, mães que experimentaram tentativa de suicídio em seus familiares.

A troca de muitas histórias pessoais e profissionais permitiu que todos refletissem sobre o suicídio, um assunto sério que permanece um tabu na sociedade. As discussões foram realizadas com respeito e grande consciência da causa para prevenir o suicídio.

Os participantes que conduziram o evento estavam vinculados a diversas causas LGBTQ + no Brasil ou profissionais de saúde.

Dr. Milton Roberto Furst Crenitte

O geriatra representante da ONG “Eternamente Soja”, ONG que atende a terceira idade LGBT, Dr. Milton Roberto Furst Crenitte falou sobre o preconceito que prevalece contra os idosos e que piora se forem LGBTQ +. A maioria não tem parentes próximos ou filhos, o que os torna solitários. Isso, além de problemas físicos e emocionais, muitas vezes os leva a tentar acabar com suas vidas. Muitas vezes, os idosos são forçados a voltar para o armário para viver com um pouco de dignidade em uma sociedade intolerante.

Monica Lemes Neiva

Monica Lemes Neiva é mãe de uma jovem lésbica que tentou suicídio várias vezes porque acreditava que sua família não a aceitaria. Hoje, ela faz parte de um grupo denominado Mães pela Diversidade, cuja principal função é cuidar e proteger as crianças LGBTQ + de uma sociedade homofóbica e intolerante, dando-lhes a oportunidade de serem amadas e acolhidas. Ela nos agraciou com histórias de mães que amam incondicionalmente seus filhos, independentemente de suas escolhas e condições, que são leoas ferozes quando defendem seus filhos. Por isso, esses jovens se sentem mais acolhidos e seguros por saberem que são acolhidos com muito amor.

Ana Maria de Oliveira Marques

Mãe de uma mulher trans de grande coração, Ana Maria de Oliveira Marques compartilhou sua história de vida com amor e aprendizado. Por conta de sua experiência, foi convidada pelo prefeito de sua cidade, Guarulhos, para ser a Subsecretária de Diversidade, onde realiza o árduo e amoroso trabalho de entender o que é a população lésbica, gay e bissexual, e mais significativamente a população transgênero , sofrem para obter cuidados médicos ou até mesmo um emprego decente. Ela arregaçou as mangas e conseguiu ajudar essas pessoas a viver com mais dignidade. Sua filha tentou suicídio na juventude, e essa experiência pessoal a leva a trabalhar na prevenção de outras tentativas de suicídio de pessoas LGBTQ +.

Tino Perez

Tino Perez é voluntário da associação CVV (centro de valorização da vida) que foi criado em 1962 na cidade de São Paulo. Hoje, a entidade está em todos os estados do Brasil e no Distrito Federal. Voluntários e pessoas treinadas estão sempre prontos para atender ligações ou falar com pessoas que estão em crise para se conectar para conversar. Esses voluntários tentam ajudar essas pessoas simplesmente ouvindo. Esta entidade é muito respeitada pela sociedade brasileira e tem prestado assistência a todos, independentemente de sexo, cor, raça, nacionalidade, idade, etc.

Dr. Danilo Furlanetto

Psiquiatra, professor de medicina, psicanalista LGBTQ +, Dr. Danilo Furlanetto alertaram os presentes para o número de pessoas que tentam suicídio e as causas, estudos e pesquisas sobre a aceitação e conhecimento do que é ser LGBTQ +. Ele apresentou sua pesquisa com jovens brasileiros e estudantes sobre o que eles entendiam sobre ser LGBTQ + ou se aceitavam naturalmente. Para grande surpresa de muitos, este estudo mostrou que pelo menos metade dos entrevistados tinha preconceito contra as pessoas LGBTQ +. A pesquisa também mostrou que o número de tentativas de suicídio é significativamente maior entre a população transgênero.

Cristina Moraes

Cristina Moraes

Como presidente da Afirmação Brasil, Cristina Moraes foi a representante da organização na mesa de discussão. Ela falou sobre a quantidade de pessoas LGBTQ + mórmons que sofrem com a dor de ser quem são e carregam uma herança religiosa que não aceita totalmente os indivíduos LGBTQ. Ela compartilhou que muitas dessas pessoas ficam deprimidas e ansiosas e muitas tentam o suicídio como uma solução para seus problemas.

A presidência da Afirmação Brasil fez um trabalho tremendo para aliviar o sofrimento dessas pessoas. A presidência viu em setembro, Mês da Prevenção do Suicídio, uma oportunidade para falar mais abertamente com a sociedade sobre o tema e reunir órgãos públicos para discutir esse delicado tema, que deve ser tratado como questão de saúde pública. Meses de preparação foram necessários para tornar o simpósio um sucesso. Ao contrário das conferências de Afirmação que acontecem todos os anos no Brasil, este foi o grande evento aberto à comunidade em geral com a presença de representantes de organizações com grande afinidade dentro da população LGBTQ +.

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