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Um Futuro & Uma Esperança

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Nós devemos viver sem medo nem inveja das histórias de outros. Vivam com confiança. Saibam a verdade. Tenham sempre confiança no amor abundante que o nosso Pai Celestial tem por nós.

Discurso feito por Randall Thacker, Presidente da Afirmação – Mórmones LGBT, Família & Amigos, na conferência “Circling the Wagons” de 2014 na Cidade de Salt Lake, no Utah. Uma conferência que reúne líderes com diferentes pontos de vista sobre o espectro de LGBT ou SSA e comunidades terapêuticas.

Randall-Kendall-and-Alejandro-960x600Sinto-me honrado por me ter sido dada a oportunidade de poder falar aqui hoje. Um obrigado à Anne McMullin Peffer e à liderança de Circling the Wagons por tudo o que estão a fazer para nos juntar de uma forma em que eu sinto que nos ajudará a construir Sião – um local onde nós procuramos percebermo-nos uns aos outros.

Há duas semanas atrás eu participei numa conferência LGBT/Atração pelo mesmo sexo Mórmones, Famílias & Amigos cheia do Espírito na Cidade do México onde pude encontrar novamente um fantástica variedade de Santos dos Últimos Dias, desde homens, a mulheres e a seus pais e parentes que se encontram a navegar a complexa intersecção entre a sua fé em ser SUD e as suas atracções físicas, emocionais e espirituais para com o mesmo sexo ou questões acerca da sua identidade sexual. Apesar da língua, da cultura e do país serem diferentes, eu vi as mesmas histórias desenrolarem-se, mesmo em alturas conturbadas dado à vincada cultura machista do México. Eu quero partilhar histórias acerca de algumas pessoas que conheci nesta conferência. Estas histórias representam aquilo que nos leva a tentar encontrar pontos em comum que ajudem estes indivíduos.

Um jovem rapaz, aspirante a cantor de Ópera que acabou por cantar dois números musicais na conferência, veio com tanta trepidação como a que eu tinha quando entrei pela primeira vez numa conferência Evergreen em 1999. Ele era um homem radiante, no qual se podia ver a luz do Evangelho a brilhar intensamente. Esta fora a sua primeira oportunidade no que toca a reconciliar o seu amor para com o Evangelho e a Igreja e os seus sentimentos de atracção por homens. Ele levantou-se durante uma discussão de grupo de pais e partilhou como a sua mãe, uma psiquiatra, lhe faz comentários depreciativos e dolorosos constantemente sobre como “asceroso” ou “nojento” seria ser gay. Ele sabia que ela suspeitava e também sabia que ela fazia esses comentários na esperança de o dissuadir. Ele não sabia como lidar com tal situação. Com todo o brilho do Evangelho, de vez em quando também se conseguia a tremenda dor e sofrimento no seu olhar. Durante a conferência ele teve a bênção de conhecer outros pais que lá estavam com os seus filhos, o que foi muito reconfortante para ele. Mais tarde, ele partilhou comigo em privado que antes da conferência ele se sentia como se o “mundo se estivesse a fechar para ele” e que ele estava a “perder a esperança”. Ele disse que estava a começar a acreditar que não havia futuro para ele. Ele disse: “Sentia que já não tinha mais opções: Eu sei que não quero casar com uma mulher. Eu não quero viver a minha vida, sozinho e solteiro, e eu não quero quebrar os meus convénios. O que é que eu faço?” Nas suas palavras “Todas as portas se estavam a fechar para mim.” Então, qual foi a minha resposta e o que é que o ajudou e lhe deu tanta esperança durante aquele fim-de-semana? Eu, juntamente com outros, aconselhámo-lo durante a conferência sobre como teria de ser paciente e gentil com ele mesmo e sobre como teria falar com a sua alma e procurar a orientação do Espírito e perguntar o Pai Celestial acerca do seu futuro. Não prescrevemos nenhuma solução além de auto aceitação, amor por ele próprio, uma mão amiga e disponibilidade para o ouvir sempre que necessário.

Conheci um outro homem já nos seus 30’s e muitos que após ter servido durante muitos anos enquanto altos chamados do sacerdócio lhe foi dito por um dos Setenta as seguintes palavras: “Poderias ser um presidente de estaca se fosses casado.” Alguns anos antes ele tinha ficado inactivo na Igreja e, eventualmente, atingiu o fundo devido ao vício das drogas e devido a uma vida a que ele chamava de “ausência de qualquer forma de dignidade.” Ele veio à conferência à procura de alguma luz, aceitação e dignidade. Ele conseguiu encontrar. Ele explicou como foi ter vivido uma vida dupla por mais uma década quando ele estava a servir nos chamados de sacerdócio, mas como ele disse: “Como é que eu podia deixar a fé que eu amo, mas ao mesmo tempo ser-me negada a oportunidade de ser autêntico e encontrar o amor que tanto desejava?” A ausência de um espaço para processar e achar alguém que o ouvisse incondicionalmente levou a aliviar a dor através da automedicação. Qual a minha resposta para este homem? Sê paciente e gentil contigo mesmo. Dá-te tempo a ti mesmo para poderes processar as coisas e procura bem dentro de ti, com a ajuda do Espírito, a orientação de que necessitas. Ele partilhou e nós ouvimos.

Também conheci uma mãe cujo radiante e lindo filho de 25 anos, apanhou um ônibus desde Guadalajara, onde estudava, até à Cidade do México para assistir à conferência. A mãe não sabia que o seu filho estava a participar mas alguém a informou mais tarde, na noite de Sábado. Ela conduziu 2 horas na manhã seguinte até à Cidade do México para ir buscar o seu filho durante a sessão de testemunho no Temple Visitors Center. Mesmo após ter ouvido as palavras de profetas do site Mormonandgays.org a serem partilhadas e depois de ter escutado testemunhos individuais sobre a grande fé no Pai Celestial, esta mãe estava convencida que o seu filho NÃO poderia estar envolvido e que qualquer tipo de discurso ou conversa o levariam eventualmente para o caminho do diabo. Também acreditava que os participantes eram do diabo. Toda a gente podia ver a dor nos seus olhos. A dor de uma pai que estava a tentar com todas as suas forças SIMPLESMENTE PARAR TUDO isto e pôr as coisas na perfeita ordem de outrora. Ela não tinha vontade de ouvir nenhum de nós, incluindo outros pais. Ele ameaçou expulsá-lo da escola; fazê-lo regressar ao seu “Pueblo” e ir ver um psiquiatra que de uma vez por todas o iria fazer livrar de todo este mal. A dor e sofrimento nos olhos quer da mãe, quer do filho era tanta que mal podíamos suportá-la. Uma das mães presentes começou a chorar preocupada com o bem-estar físico e emocional do filho. Estava preocupada com o que lhe poderia acontecer e qual o tipo de terapia o filho iria receber. Numa última tentativa e esforço a mãe, Kendall Wilcox e eu aproximámo-nos dela outra vez e aí aprendi uma tremenda lição. Kendall perguntou-lhe “Como se está a sentir agora?” Ele abrandou e nós ouvimos. Ela necessitava saber se antes de partilharmos alguma coisa ela perceberia que a sua intensa dor e sofrimento eram entendidos. No fim, ela deixou o seu filho regressar à escola, contudo teria de ver um terapeuta, o que possivelmente poderia ser uma coisa boa.

Recentemente, uma esposa de um casamento de com “orientações sexuais misturadas” que me abordou e fez uma pergunta acerca do comportamento online questionável do seu marido com outros homens e o que eu achava da situação. Eu perguntei-lhe quais eram os seus sentimentos e descobri que a princípio foi muito difícil para ela processar tudo – ela não estava completamente consciente dos seus sentimentos e do que queria. Eu pedi-lhe para continuar a partilhar e dei-lhe espaço para ficar vulnerável. Quando lhe perguntei, bem, o que é que achas que queres fazer? Ele pediu a minha opinião e eu disse, “Apenas tu podes decidir isso.” Eu acredito que eles conseguirão resolver as coisas e manter-se um casal e eu honro essas decisões quando elas são feitas com completa consciência e transparência.

Eu também tive um amigo atraído pelo mesmo sexo que me abordou e disse que ele tinha conhecido uma mulher com a qual ele se estava a apaixonar e disse que gostaria de casar com ela. Eu disse-lhe que ao entrar para uma relação totalmente transparente eu respeitaria a sua decisão.

Eu recebo mensagens de Santos do Últimos Dias de todo mundo. Eles são pessoas que estão à procura de um caminho fora de um mundo que se está a fechar para eles, pessoas que estão a tentar sair da confusão e ter esperança, pessoas que têm grandes sonho de viver vidas frutíferas e produtivas que estão de acordo com a sua fé e herança. Eles querem contribuir na Igreja e querem ser bem-vindos, sentir-se incluídos, OUVIDOS e acima de tudo PERCEBIDOS. Eles estão sedentos de um espaço onde não lhes dizem continuamente que apenas há um caminho certo. Eles querem ser vistos por quem eles são enquanto humanos, filhos de Deus, e que não sejam definidos pela sua identidade, expressão ou orientação sexual – seja a nível de diversidade física, emocional, romântica, espiritual ou orientação sexual.

E qual é o seu futuro e a sua esperança? A maioria quera partilhar a sua vida com alguém do mesmo sexo ou do sexo oposto que tenham valores semelhantes e amor pelo Evangelho. Alguns querem fazer isso com alguém do mesmo sexo, mas apercebem-se que ao entrar numa relação grande parte dos ramos e estacas da igreja os forçariam a sair e seriam menosprezados por muitos membros. Para outros, o seu sonho é fazer com que o casamento com uma pessoa do sexo oposto resulte e muitos tentam. Quase todas estas pessoas expressam como não conseguem ver Deus a querer que eles fiquem sozinhos e sua a oportunidade se apresentar para eles partilharem e trabalharem para a escola do casamento e relações (sejam estas do mesmo sexo ou sexo oposto), isto porque essa escola é uma experiência purificante e edificante, uma escola que implica sacrifícios e que ensina a exaltar as qualidades que vêm através do investimento numa relação com outra alma.

Pouco depois de me mudar para Washington DC. Eu estava naquela fase se perceber e organizar as ideias e houve uma altura onde eu realmente bati no fundo. Um dia, enquanto andava numa rua, eu vi um sinal pendurado num grande edifício de cimento e isso deu-me esperança e desde então esteve sempre comigo. Encontra-se em Jeremias:

“Porquanto somente Eu conheço os planos que determinei a vosso respeito!’, declara o Pai, ‘planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dor e prejuízo, planos para dar-vos esperança e um futuro melhor.” Jeremias 29:11 Versão King James

Como uma comunidade que pode providenciar um futuro e uma esperança – e como David Matheson disse ontem, ele descobriu que é “mais importante ajudar do que estar certo.” Eu acredito que esta é a chave para providenciar um futuro e uma esperança – sem assumir que existe apenas um caminho para encontrar a felicidade.

De entre as mais memoráveis palavras do Salvador há uma acerca de um irmão mais novo que pede ao seu pai a sua parte da herança e que por um modo de vida desordeiro perde todo o seu dinheiro e amigos muito mais cedo daquilo que poderia imaginar. Eventualmente, tão privado do seu sustento, ele se torna um alimentador de suínos e acaba por encher sua barriga com as alfarrobas que os suínos comem.

Mais tarde, a escritura diz encorajadoramente “Ele voltou a si mesmo.” Nós precisamos deixar as pessoas passarem por esta experiência. Ele decide regressar à casa de seu pai, esperando ser aceite de volta, nem que fosse como trabalhador. A emoção e a imagem tocante de pai e filho que correm ao encontro um do outro, ao abraçá-lo e beijá-lo é uma das cenas mais tocantes e mais demonstradora de compaixão em todas as escrituras. Indica o quão Deus nos quer de volta à protecção de seus braços.

O irmão mais velho entra em cena. Ele tem estado a trabalhar diligentemente e obedientemente no campo, e regressa de seus afazeres. O irmão mais velho fica furioso quando fica a saber da celebração do regresso de seu irmão mais novo e recusa-se a aparecer na celebração. Então o seu pai sai e suplica-lhe. A imagem demonstra a história de dois irmãos regressando a casa, apesar de virem de sítios muito diferentes e isto é central para esta história e para o propósito de hoje.

Pela conversa e seguimento do Senhor nós aprendemos que o irmão velho tem falta de uma coisa que o faria um homem completa e isso é ter compaixão, misericórdia e caridade e uma visão mais ampla para ver que aquele que regressou a casa, apesar de ter vivido uma vida diferente da sua não era seu inimigo ou oponente, mas sim seu irmão.

Por que razão comparamos as nossas histórias com as histórias de outros, ou por que impomos a história de uma pessoa a outra? Deus não trabalha dessa maneira. O pai da história não atormenta os seus ao compará-los sem misericórdia. A expressão de compaixão e desejo para o entendimento de um não requer que removas ou negues o outro que escolhe diferente. Este pai é divinamente generoso com ambos os seus filhos. Ele estende a sua caridade aos seus dois filhos e ouve ambos, ama ambos e procura perceber ambos.
Um observador escreveu, “Num mundo que constantemente compara pessoas, que as rotula de mais ou menos inteligentes, mais ou menos atractivas, mais bem ou mal sucedidos que outros, é muito fácil acreditar que a divindade faz o mesmo. “Quando oiço alguém a elogiar.” Diz o observador “Acho difícil não pensar que sou menos digno do elogio, quando leio sobre a bondade e benevolência de outras pessoas. Eu me pergunto se eu serei assim tão benevolente e amigo deles, e quando vejo troféus e recompensas serem dadas a pessoas especiais, não consigo parar de pensar porque que é que isso não aconteceu comigo.”

Mas devemos resistir a esta inclinação tão embelezada no mundo, pois é horrivelmente destrutiva para nós mesmo. Muitos dos mandamentos que começam com “Não” estão lá para que não nos magoemos a nós nem os outros. Contudo, estou convencido que o mandamento “Não cobiçará.” Tem como objectivo prevenir que nos magoemos.

Como podemos nós ultrapassar esta tendência e vermo-nos como irmãos e irmãs? Primeiro, podemos fazer o mesmo que aquelas crianças fizeram e voltar para o Pai Celestial e deixar que ele nos receba de braços abertos, que nos beije, que nos guie para o banquete de boas-vindas que está preparado para nós. Nós enquanto comunidade Atração pelo mesmo sexo/LGBT SUD podemos preparar um banquete que nos inclui a todos.

“Ordenou ele a alguém que não participasse de sua salvação? Eis que vos digo: Não; mas deu-a gratuitamente a todos os homens e ordenou a seu povo que persuadisse todos os homens a se arrependerem.”

“Eis que clama ele a alguém, dizendo: Afasta-te de mim? Eis que vos digo: Não; mas ele diz: Vinde a mim todos vós, extremos da Terra, comprai leite e mel sem dinheiro e sem preço.”

“Eis que mandou ele que alguém saísse das sinagogas, ou melhor, das casas de adoração? Eis que vos digo: Não.” (2º Néfi 26)

Uma das formas de Satanás nos enganar é através do desencorajamento e confusão. Ele faz o seu melhor para nos focarmos nos nossos nadas até que começamos a duvidar se temos ou não algum valor. Ele diz-nos que somos demasiado pequenos para sermos notados por alguém, que fomos esquecidos, em especial por Deus.

Nós devemos viver sem medo nem inveja das histórias de outros. Vivam com confiança. Saibam a verdade. Tenham sempre confiança no amor abundante que o nosso Pai Celestial tem por nós.

Nós sabemos através de revelação moderna que, “O valor das almas é grande aos olhos de Deus.” Nós não podemos calcular o valor que outra alma tem, tal como não podemos medir o quão vasto é o universo. Toda a gente que conhecemos é importante para os nossos Pais Celestiais.

Também gostaria de pedir a todos para se erguerem e fila sim fila não para se virarem. Olhem directamente para os olhos da pessoa que está à vossa frente e vejam a divindade nele ou nela. Dêem um abraço a essa pessoa.

Hoje, um banquete foi preparado, abraços são dados, e nós exploramos formas de ajudar e providenciar um futuro e uma esperança e esta comunidade. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

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